domingo, 2 de setembro de 2012

O amor da minha vida



Nesta semana, assisti aos depoimentos de dois jovens, em um grupo de oração, com o tema ‘família’. Ouvi histórias reais de dois deles, que abriram o coração e revelaram um pouco de sua intimidade para o grupo presente no momento. Acho bonito buscar a aproximação com Deus em uma realidade em que a moda é alcançar o prazer terreno e imediato.

Ainda que simples, foram narrativas bem interessantes acerca da instituição social mais antiga de que se tem notícia. Hoje, entidade familiar não se resume apenas a pai, mãe e filhos morando juntos na mesma casa, engessados num falso eterno final feliz. Ao longo do tempo, os laços afetivos passaram a ser o fator crucial para definir uma família, e a partilha dos problemas e alegrias diários deu um passo à frente dos laços consanguíneos. As pessoas pararam de acreditar que os conflitos que elas viviam não existiam na casa do vizinho. Fato é que, nas famílias, o que muda é mesmo só o endereço.

Um dos rapazes descreveu o prazer de sua mãe ao preparar sua comida predileta, que mesmo com muita pressa para sair, ele fez questão de, ao menos, provar, como forma de agradecimento a ela. O outro falou sobre a dificuldade do pai em demonstrar afeto, e da decisão que tomou de mudar diante da situação e dar o primeiro passo, para ver a mudança ocorrer também no pai. Muita gente refletiu sobre as palavras deles; muita gente chorou de soluçar, porque encontrou identificação e viu que todas as famílias passam por problemas, pois pela convivência diária, a gente acaba esbarrando em uma aresta aqui e outra ali, que só podem ser aparadas com muito amor.

No amor verdadeiro existe perdão. Quem a gente mais ama é quem a gente mais perdoa. E também somos todo o tempo, perdoados por nossas falhas. Quem a gente mais ama é também quem a gente mais fere. Porque é fácil ferir quem está sempre por perto e quem você sabe que vai relevar suas ofensas e te sorrir outra vez, sem mágoas nem ressentimentos. E, justamente por isto, não deveria existir ninguém a ser tratado por nós com maior zelo que estas pessoas. Mas não, a gente nem sempre trata bem. A gente nem sempre diz que ama. Mas, na hora da dificuldade, a gente faz o possível e o impossível por elas. Amor de família se manifesta assim, sem muitas palavras, mas coberto, dos pés a cabeça, de gestos, que por mais simples, revelam toda a grandeza de um sentimento nobre e incondicional. É a forma mais bonita e sincera de se dizer que ama.

Viver em família é isso. Amar e ser amado o tempo inteiro. Negar pra educar, brigar pra ver quem pode mais. Odiar em um momento e, no mesmo exato momento, não conseguir se imaginar na ausência dela. É estar pouco tempo ou a poucos metros longe e perceber a falta imensurável que te faz. É ter a certeza de que, mesmo com milhares de defeitos, a sua família é a melhor família do mundo. Depois da minha, é claro!

Um comentário:

Rodrigo Nunes disse...

Excelente post Jéssica, tá cada vez melhor. Meus parabéns.