sábado, 10 de dezembro de 2011

A dois passos da evolução


A vida se transformou numa competição de ‘mais`. Quem é mais, quem tem mais, quem pode mais. As pessoas banalizaram os sentimentos, as coisas de pequeno valor financeiro, os bons e inesquecíveis  momentos, e só se importam com o status, com a popularidade, com as vantagens que podem conseguir. Todo mundo quer aparecer, quer fazer graça pro outro, e acha que assim está feliz. Só que há um determinado momento em que essas coisas param de fazer sentido. E aí o sujeito pensa de que vale toda aquela parafernália de que ele se revestiu pra tentar ser aceito e aplaudido. E claro, não encontra resposta satisfatória. Mas aí, ele deixa pra lá e volta a se lambuzar com os prazeres que pode comprar.

É engraçado ver como o mundo muda rapidamente. Outro dia, eu me lembro, surgiam certas gírias, certos comportamentos, certas modinhas. Eram discriminados pelos mais conservadores e até mesmo pelos mais moderninhos. Hoje, em menos de dez anos, toda essa nova onda caiu nas graças do povo, e não há mais quem se assuste ao ver crianças se comportando como adultos, ou jovens se comportando como crianças, ou ainda ao ver expressões neologistas na boca dos próprios pais. Tornou-se comum, tornou-se normal, tornou-se parte do dia-a-dia.

Não que eu tenha algo contra mudanças, ao contrário, prezo muito por elas. As mudanças são o fôlego da vida. Mas, algumas coisas não se encaixam, simplesmente. Não dá pra ver e achar normal o que a sociedade tem aceitado como normal. Acho que de tanto tentar e fracassar, o povo acabou por inserir, pacificamente, no quebra-cabeças, a peça que não se encaixa.Toda tentativa, porém, nada mais era que uma censura com o olhar,que uma palavra pelas costas, que um protesto mudo.E assim, as novas figuras foram adentrando, já que ninguém fazia nada para impedir,e hoje, são parte do cenário.

Essa sociedade sem voz começa com pais que não sabem dizer não aos seus filhos; com políticos e autoridades que ao invés de valorizarem o crédito e a esperança depositados neles, fazem os cidadãos de palhaços; com pessoas que em vez de prezar pela estima, consideração e confiança das outras, riem de suas caras e na primeira oportunidade apunhalam-nas pelas costas; com uma mídia que usa seu enorme poder formador de opinião para estimular o consumo, a competição e a desvalorização do ser humano em suas diversidades.

Há um novo mundo, sem muitos valores e crenças, onde tudo pode e nada gera punição. É um novo mundo, onde caráter é uma palavra em desuso, esquecida em alguma página de um velho dicionário. Um mundo novo, em que palavra de homem ou de mulher é história pra boi dormir e em que confiança só em Deus ou em si mesmo. Uma nova realidade, onde há que se estar alerta todo o tempo. Um mundo novo, que era pra ter caminhado para o progresso, mas em que tudo saiu às avessas. Onde a evolução teve de recuar, porque já haviam ocupado seu espaço à frente.

Todos vão ignorando o que está acontecendo no outro país, no outro estado, na outra cidade, na casa do vizinho. Enquanto não é com ele, tudo bem, está tudo certo.Ninguém quer mesmo comprar a briga dos outros. Mas, uma hora o problema bate na sua porta também. E aí, não pense que você tem direito de reclamar que ninguém faz nada pelo outro. E muito menos se dê ao luxo de imaginar que ainda existem boas almas, e que uma, com certeza, vai te estender a mão. Cada um tem o que escolhe ter.



‘É pela paz que eu não quero seguir admitindo, pois paz sem voz não é paz, é medo. ’

De uns dias pra cá



Hoje não sei sobre o que escrever, mas estou com uma vontadezinha, bem lá no fundo, de rabiscar algumas páginas.

Quem ama escrever sente prazer em pegar um papel e uma caneta e se sentar no sofá, já a altas horas, ligar a televisão e ficar ali, tentando fazer alguma idéia bacana surgir, com uma sensação eufórica no peito, de que a qualquer momento algo novo está por vir.Escreve daqui, risca dali, e o texto vai tomando forma, as palavras vão se encaixando em frases  e fazendo algum sentido.Bem disse Confúcio:‘escolha um trabalho que ame e nunca terá de trabalhar um só dia em toda a sua vida’. Bem que dizem que quem ama o que faz, faz bem feito, porque faz por prazer, não por obrigação.

Hoje li meu horóscopo, que veio ao encontro de uma intuiçãozinha que, há um breve tempo, vem soprando ao meu ouvido. Não acredito muito em horóscopo. Está certo que tem dias em que parece que o cara que escreveu passou as vinte e quatro horas te vigiando. Incrível!Mas tem dias também em que não tem nada a ver. E, muitas vezes, as previsões são as mesmas para todos os signos, mudando apenas as palavras e a aparência, que é pra enganar quem não tem senso crítico apurado. E quando os dizeres são ruins, aí eu acredito menos ainda!Se for pra acreditar, que seja em algo de bom!

Mas hoje, tem algo diferente aqui no peito. Sonhos, projetos, vontades, mas algo, além disso. Algo mais que isso. Como se certas coisas boas estivessem mesmo por vir, quase batendo à porta. Não sei... Algumas vezes já senti coisa parecida, e deu certo.Intuição feminina, talvez.Fé, talvez.Em outras, acho que não era intuição, mas apenas uma grande vontade que se realizasse,e assim, não aconteceu.

Ou é imaginação muito fértil, ou é a vida falando aqui bem ao pé do meu ouvido... Sei não... São muitos sinais...

Há pessoas que acreditam em destino, outras em sorte. Eu acredito em Deus e em seus planos para a vida de cada um de nós. E que quando é pra ser, é pra ser. Quando não é pra ser, não é pra ser. E você pode fazer o que quiser tudo quanto puder, e não vai acontecer. Assim como você pode apenas sorrir, e um mundo se abrir pra você. Porque a vida é assim mesmo: não é o que a gente quer, mas sim o que tem que ser.

Nossas atitudes e pensamentos nos moldam para nós e perante os outros e, assim, criamos nossa identidade, traçamos nosso perfil, e sem perceber, aos poucos, nos transformamos no que somos. Mudamos, mas a menos que mudemos radicalmente, ou mudemos pra bem longe, sempre seremos vistos da forma como nos conheceram. Por isso, depois que criamos uma imagem da gente e a apresentamos ao mundo exterior, toda mudança é apenas interna e, na verdade, isso é o mais importante. E tem hora que a gente para, e não quer ser mais a gente, porque a gente cansa. E já quer ser de novo. E quer tudo novo de novo. Ser humano é mesmo insaciável.

Acho que temos que aproveitar a vida, do jeito que ela vem pra gente. Quantas vezes ela quer trazer surpresas boas e estamos ocupados demais para atender a porta?!Quantas e quantas vezes ela gritou na nossa janela e a gente tava com fone no ouvido, sonhado com um futuro ideal, ao som daquela música?!

É preciso viver enquanto há tempo e enquanto há presente. Pois quando o futuro chega, você percebe que não o reconhece. E aí, o futuro vira presente e o presente é de novo sonhar com o futuro que, de novo, não será reconhecido e aceito.

Temos que agradecer por cada momento,por cada dádiva e por cada dificuldade, porque elas nos fazem crescer. É preciso viver com tranquilidade, com o coração sereno e a cabeça no lugar. E é preciso saber perder a cabeça de vez em quando também. Viva um dia de cada vez e o terá vivido com qualidade.

Hoje foi bacana. E tem sido nos últimos dias. Estou descobrindo que a minha vida pode ser linda do jeito que ela é, com as pessoas que fazem parte dela e, sobretudo, comigo mesma. Estou entendendo o que é viver. Aprendendo a superar meus medos, a ir mais além, a me permitir. A querer a realidade mais e mais. Estou, finalmente, caindo na real, vendo que sonho é só sonho, e não deve ocupar muito tempo nem espaço na vida, e que a realidade, com todos os seus defeitos, é muito melhor que um sonho perfeito.

Sempre há tempo de se descobrir e de viver diferente.Cada um tem uma missão e Deus tem um propósito e uma saída para todas as situações.

Enquanto não sabemos qual é a nossa missão, vamos sorrir e responder positivamente ao que nos for oferecido. Creio que haverá tempo suficiente para aproveitar. É só começar.

Que seja bem-vindo tudo aquilo que fizer bem!





‘Qualquer felicidade é melhor que sofrer por algo que não se pode ter. ’- Amanhecer, da saga Crepúsculo.



sábado, 26 de novembro de 2011

Encontros


Você, que trouxe uma nova cara para mim. Algo bem melhor que tudo o que poderia imaginar. Uma sensação assim, tão gostosa de sentir, leve como a brisa do mar, renovadora como as gotas da chuva, radiante como uma manhã de verão, suave como o  vento.

Silencioso, não precisou de euforia para se mostrar. Como tudo o que é forte, sincero e verdadeiro, foi aos poucos conquistando o seu lugar e me mostrando quem era de verdade. Não teve pressa, pois sabia que tudo o que é realmente seu não foge de você.

E me fez ver de um jeito a vida, como eu achei que nunca iria ver. Me fez sorrir, e descobrir que a vida pode surpreender. Me fez acreditar mais em mim, e em você. A entender o que é o amor, que eu nunca antes havia sentido. A perceber que estava errada quando eu queria estar só comigo e achava que, pra sempre, eu seria apenas mais eu. Hoje eu sou mais eu e mais você também. Hoje eu sei o que é sentir meu coração leve, livre, cheio da felicidade que grana nenhuma conhece.

Só por enquanto, eu quero estar com você. E, em um momento, sentir tornar-se eterno nosso abraço de amor, de companheirismo, de fidelidade e de amizade. Quero viver como se em seus braços a cada minuto estivesse, como se pro meu abraço você, sorrindo, se entregasse a cada instante, e como se não precisássemos de mais nada, e pudéssemos ficar ali pra sempre, como naquele dia, olhando aquele céu, iluminados pela lua e pelas estrelas.

Você, que me fez sentir isso que não tem nome, que é muito mais que amor, muito mais que desejo ou qualquer outra coisa que se possa explicar. Você, que me fez ver a vida diferente, como nunca passou em meu mais louco pensamento que um dia ela pudesse ser. Coisas que nunca imaginei, sonhos bem melhores que todos os que eu sonhei. Algo que nunca pensei que existisse. Até que você chegou. Me mostrou que não é perfeito,mas é lindo no que é.Que é despreocupado, e me ensina tanta coisa que mas faz ser tão melhor.

Você, que virou a página junto comigo e me ajudou a ver de verdade. Abriu meus olhos para aquela porta da felicidade, que estava bem ali, e pela qual, durante tanto tempo, eu não consegui entrar. Você, que me ajudou a caminhar até lá.

Não espero que o conto de fadas seja pra sempre, porque apenas um segundo do que você me faz sentir, já faz toda a vida ter valido a pena. Um único momento ao seu lado não se compara a tudo o que antes eu havia vivido. Sei que o encanto passa, mas já tem bem tempo que você, como um mestre, parece cultivá-lo a cada dia. E você não me prometeu dias perfeitos, mas sim me dar o seu melhor. E esse melhor é muito melhor do que eu poderia querer.

Não sei como você foi ser assim. Nem sei como me faz sentir assim. Me surpreendeu.Me conheceu e gostou de mim.E me fez gostar de você também.Me fez ver que sim, valemos muito a pena.E que nem tudo dos velhos tempos foi esquecido, que alguns hábitos ainda perduram e o que o amor sincero e as gentilezas nunca saem de moda.E sobretudo,me fez confirmar uma coisa que eu já sabia: que quem quer alguma coisa de verdade, corre atrás, todos os dias, e não desiste no primeiro não, nem no segundo, nem no terceiro...Que o que a gente planta, a gente com certeza vai colher.Que quem gosta de você de verdade, te trata bem, te respeita, te dá valor e te prova que te quer sempre por perto, das maneiras mais simples.

Você, que fez de mim nova pessoa, me ensinou a melhorar meus passos e a corrigir certas imperfeições. Você que me ensina e que me diz que aprende comigo. Você, que não deixa o tempo apagar nossa conexão, mas se empenha para renovar, com criatividade, o que já existe naturalmente. Você que, como ninguém, sabe o que eu gosto, que sabe me interpretar. Que me deixa ser eu, e que se permite ser você. Que me dá tempo e espaço. E que se dá isso tudo também. Você, que me vê de um jeito que ninguém mais vê. De alguma forma, eu sabia que você estava por aí. Não acreditava em mim mesma, mas sentia sua presença e sabia que sentiria sua chegada.

Creio que ninguém, sozinho, é responsável pela felicidade de ninguém. Há que saber se amar primeiro, para depois amar aos outros, e ser amado.

Nunca fui muito afetiva. E não me importo com quem não se importa. Às vezes, fico meio off-line. Mas, pra você... Pra você, eu estou aqui, porque você me faz feliz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Desencontros



Dessa vez era diferente.
O medo permeava seus pensamentos como nunca antes o havia feito. Seu coração estava apertado, como o de quem está prestes a encarar a cadeira elétrica. Em seu interior, o ar circulava rápida e freneticamente, denunciando a grande ansiedade que tomava conta de si.
Seus pensamentos ora iam, oram voltavam. Não encontravam solução ou resposta alguma.
Dessa vez era diferente. Sentia algo que nunca antes havia sentido. Era vítima de um sentimento sem nome, ainda impossível de classificação autônoma. Era uma mistura de diversos outros sentimentos.
Dividia-se entre pequena esperança e total desesperança. Não queria mais as pequenas coisas que antes lhe faziam falta. Queria ir muito além. Não queria sequer ser amada. Queria a si mesma. E nada mais.
Sentia seu tempo passar, suas possibilidades se esvaírem como pó. O tempo corria como que em uma ampulheta, e via seu futuro como uma miragem no deserto. Via a areia tomar a forma de seus pés, e caminhava até se deparar com suas próprias pegadas anteriores formando um eterno trajeto circular.
Tinha sede. Muita sede e não encontrava nem uma só gota d’água. Estava cansada, mas não havia nenhum camelo que lhe pudesse amparar.
O sol castigava seu corpo, e o calor do dia era amenizado apenas pelo frio da noite, que se fazia mais agradável e lhe dava forças para a manhã seguinte.
Precisava alcançar a saída, mas o labirinto em que havia se transformado o deserto parecia não ter fim. A areia cada vez mais espessa já desgastava as sandálias, que há tanto estavam consigo. O chapéu havia tomado a forma de sua cabeça, e já não conseguia viver sem ele. As vestes sujas, onde vez ou outra se agarravam alguns insetos, que só eram percebidos algum tempo depois.
O cantil estava seco. Não existia nenhum vestígio de que, um dia, ali houvera qualquer substância líquida.
Não sabia para onde ir. Não havia para quem se voltar. Descobriu que teria de achar, sozinha, o oásis. Percebeu que poderia gritar e não haveria ninguém que lhe pudesse ouvir. Viu que essa luta era só sua, e que sua única saída era encontrar a saída. E então, se encontrar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A verdade sobre a vida


É que a vida às vezes é confusa. E um pouco amargurada. Tem um quê de felicidade e uma dose de esperança. Às vezes, os frutos nascem em meio a lágrimas. Às vezes iluminados por sorrisos. Nem sempre tudo sai do jeito que a gente quer, muito menos do jeito que imaginamos. Mas sai do jeito que devia sair. Vem do jeito que podia vir. Do melhor jeito que tinha de ser. Mesmo que seja duro e difícil de aceitar e ver.
É que chega uma hora em que a gente percebe que tem que crescer. Chega um momento em que a gente descobre a vida de verdade, e cai na real. Chega um instante em que no que seus olhos veem, seu coração se recusa a acreditar. Mas aos poucos, ele entende que é assim. E vai ser assim. Até que venha outra realidade inacreditavelmente materialista, consumista, (in)satisfeita com desejos do corpo e do imoral. De indivíduos que alimentam suas vidas em caminhos que os levam à morte. Do corpo e do espírito.
Tem gente que não vê que tudo é transitório. Que o hoje é o ontem de amanhã. Tem gente que não vê que tem coisa que não vale à pena. E que tem gente que não vale à pena. Tem gente que não vê que a verdade precisa ser vista por uma ótica um pouco mais profunda. Que ela não salta aos olhos. É discreta. Tem gente que não vê que a ilusão anda por aí disfarçada de felicidade, com letreiros brilhantes, ofuscantes, oferecendo-se cheia de sorrisos e prometendo um mundo de possibilidades.
Tem gente que não sabe ser gentil. Que quer mais é que o outro se ferre mesmo. Tem gente que nunca deve ter ouvido falar em empatia. E em simpatia... E menos ainda em respeito. Tem gente que pura e simplesmente não sabe controlar suas palavras. E seus atos.
Tem gente que troca toda uma vida por um momento. E faz de novo. E de novo. E depois reclama da sorte. Tem gente que se vende. E que vale o preço que negocia.
Tem gente que é burro. Burro mesmo. Tem gente que é topeira, tapado, alienado. Tem gente que parece que faz questão de errar. E que parece que luta pro cérebro atrofiar.
Na vida existem três tempos: o ontem, o hoje e o amanhã. O único tempo em que, efetivamente, podemos fazer algo é o hoje. O ontem passou. O amanhã é o reflexo do que escolhemos no presente. Porque a vida é isso: escolhas. Somos as escolhas que fazemos. Alcançamos aquilo pelo que lutamos. Nada que seja realmente bom é conseguido sem esforço.
A força mais importante é aquela que vem de dentro, pois o espírito é mais forte que o corpo, e sua cabeça é seu guia.
A inteligência e a sabedoria são mais eficazes que o físico, pois o que o físico consegue a inteligência e a sabedoria igualmente podem fazê-lo, mas a recíproca não é verdadeira.
É que a vida é assim mesmo. Cheia de nuances e disfarces. Armadilhas e combates. Só ganha quem utiliza bem suas habilidades. Só toca a vitória quem é esperto com a realidade. Todos estabelecem táticas, rotas e manobras para viver, mas poucos o fazem com excelência e genialidade.
Prevalece a seleção natural. Vence quem for mais apto e souber enxergar, dando tantas voltas quanto forem necessárias para lograr êxito em seus objetivos. Porque ‘quem não quer nada, não merece ter tudo’.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pro lado de cá


Se às vezes a vida nos apresenta sua face injusta,devemos saber viver na adversidade sem nos deixar prostrar.
Tem hora que a gente cai.Tem hora que a gente chora,mas não se levantar é a pior punição que podemos dar a nós mesmos.
Por pior que esteja  sua vida,sempre tem gente em situação ainda pior.E não é pra servir de consolo,mas de reflexão.É pra pensar que temos tanto perto de outros e,por isso,não temos o direito de reclamar.É pra pensarmos o quanto egoístas e mesquinhos somos ao reclamar de nossas vidas,enquanto a fulana acorda às 05:30 da manhã,passa todo o dia fora e só volta às 23:00.Dorme no máximo três horas por dia,porque quando chega em casa tem mais um milhão de coisas pra fazer, e mantém sempre a fé e o sorriso no rosto.É pra lembrarmos do ciclano,que sofre meses longe da família porque precisa,e não tem outra escolha.
Eu sei que você,como eu,tem uma vida boa,uma família bonita.Não tem dinheiro sobrando,mas tem o suficiente.Sei que tem direito a pequenos luxos de vez em quando e também ao lazer.Sei que temos o que a fulana e o ciclano não tem e sei,que em inúmeros momentos,eles têm a alegria de viver que não sabemos ter.
Acho que não podemos ser radicais.Talvez seria demais dizer que temos direito,mas ao menos poderia dizer que são aceitáveis nossas lamúrias.
É comovente ver vidas em situações realmente difíceis,mas é praticamente impossível ser satisfeito com a vida que se tem.Cada um sabe o que passa.Cada um sente com o seu coração e na sua realidade.'Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é'.Afinal,o que queremos é sempre melhorar.Mas,creio também que precisamos reclamar menos ao aprender a olhar a vida com outros olhos.
Tenho percebido que,enquanto reclamamos,deixamos a vida passar sem vivermos.Vivemos esperando dias melhores ao invés de vivermos os dias presentes.E as coisas mudarão,e estaremos sempre esperando dias melhores.Quando nos dermos conta,teremos passado pela vida e simplesmente existido.
Precisamos ter cuidado e saber a dose certa de acada atitude.Precisamos nos livrar das ansiedades que constantemente nos consomem e nos impedem de enxergar os milagres e as belezas à nossa volta.Precisamos parar de viver numa eterna utopia pelo futuro e de nos preocupar com o indispensável.Precisamos deixar para trás o excesso de auto-cobrança.Precisamos aproveitar a vida com as dores,os dissabores e as alegrias que ela sempre vai nos oferecer.
Eu sei que é tudo muito bonito na teoria,e que na prática esse caminho é bem complicado de se achar.Eu sei que a gente tenta,se propõe.E erra,e faz tudo errado de novo,até sem perceber.Mas podemos ir devagar.Não precisamos correr.Os hábitos são mesmo cultivados aos poucos.
Precisamos levar uma vida mais light,para enfim sermos felizes.
Também não tenho um mapa,mas estou tentando traçar a minha própria rota,afinal cada um dá á sua vida a sua própria cara.

Os quinze



Os quinze minutos mais longos de minha vida.
É assim que posso descrever aquele tempo.
Um tempo de espera ansiosa e medos conflitantes.
Tempo de esperança e desesperança. Tempo de acreditar e não acreditar.
Tempo de achar que tudo daria certo e de me descobrir errada.
Tempo de analisar e procurar respostas e dar de cara no vazio.
Quinze minutos infindáveis e agoniantes.
De sorrisos e ameaças de lágrimas. E sorrisos.
Quinze minutos de atitudes em vão.
Quinze minutos.
E uma vida inteira pela frente.

sábado, 6 de agosto de 2011

Dias de sol e chuva



Estava na rodoviária.Faltava ainda meia hora para o ônibus sair.Dividia-se entre pensamentos de liberdade e tédio.
Sentia-se livre,como se ali fosse responsável por si.Sozinha.Ninguém para dizer o que fazer,ninguém para exigir que fosse feito assim.Os outros não tinham nenhum poder sobre ela.Eram meros espectadores de seu momento.Era ela e ela mesma.Com seus pequenos luxos materiais e muitos em sonho.
Olhava ao seu redor e via gente de todos os tipos e feições e pensava em como devia ser a vida de cada um ali.Em como era o modo de pensar e agir.
Observava todas as coisas e admirava algumas outras.Pensava em tudo.Lembrava-se de dias anteriores e ansiava pelos dias futuros.Não conseguia amar o presente,apesar de saber ser necessário.
Suas aspirações e experiências passadas levavam-na a se perguntar se realmente as coisas seriam possíveis.
Via gente.Via movimento.Via jornais,revistas,comida,cadeiras,crianças,horário.O tempo passava de forma incomum,rapidamente.
Olhava para todos.Alguns,a minoria,olhavam,desinteressadamente,de volta.
Imaginava como seria o trabalho,as alegrias e tristezas deles.Também tinha as suas e, às vezes,sentia-se magneticamente atraída por saber se eram iguais às dos demais.
Havia coisas que não conseguia compreender.Na verdade,nem mesmo sabia quais eram os questionamentos.Muitos pensamentos na cabeça.
Era muito humana e,como tal,de uma estranha contrariedade .Tanto que,às vezes,de tão humana,não sabia ser humana.

domingo, 24 de julho de 2011

Diga sim


Se uma lente me mostrasse aquilo que eu ainda não posso ver
Se um sonho me mostrasse o que não posso compreender
Se houvesse um mecanismo pra eu olhar de trás pra frente
Se eu pudesse ao menos uma vez pisar em terra firme
Se só por um dia conseguisse tirar a venda que me cega
Estaria certa de meus caminhos
Convicta de meus passos
Tão longe eu chegaria
Sem medo de voar
Tantas dores pouparia
Tanto medo não deixaria chegar
Mas a incerteza é minha companheira
Caminha ao meu lado dia-a-dia
Como uma sombra que me segue
Ainda que eu tente me livrar
Ela precisa de companhia
Ela insiste em ficar
E que mais posso fazer,a não ser deixar permanecer?
Que mais posso fazer, a não ser tentar esquecer?
Seguir em frente,pôr o pé na estrada
Trilhar o caminho,sem direito a parada
Apostando tudo,sem saber se vou ganhar
Jogando com o coração e com o melhor que eu posso dar
Se o caminho fosse feito de certeza e solução
Muita dor se pouparia
A muitos erros diria não
Mas a vida não é um filme
Onde se tem um final certo
Ou se busca a saída ou se perde no deserto
O tempo vai obrigando a escolher
Chega uma hora que é preciso crescer
Você escolhe mirar bem firme ou dar um tiro pro alto
É você quem escolhe achar o caminho ou perder-se de vez
Às vezes há sorte,às vezes sabedoria
Viva sua vida,aproveite cada dia
E não deixe a seriedade tomar conta de você
Não deixe seus medos fazerem você se perder
E por mais que se preocupe
Permita-se relaxar e descobrir a cada dia uma nova forma de sonhar
De viver,de pensar
A vida é muito estranha pra quem tenta entender
Por isso,às vezes o que mais precisamos é apenas nos deixar viver.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mundo real



Em alguns momentos vivi como um peixe fora d`água.Me desiludi com as pessoas ao descobrir que elas não fazem do mundo lindo como eu queria que fosse.Me entristeci amargamente a cada vez que vi como as pessoas,em circunstâncias gerais,são cruéis e só querem tirar vantagem,sempre.Doeu muito,e ainda dói,porém em menor proporção,ver que o mundo é mau.
Aprendi e hoje entendo que não devo esperar nada dos outros,porque é o nada que eles me darão.Hoje me importo com quem merece.Confesso que às vezes com quem não merece também(não consigo ser como eles),mas é raro e,quando acontece, não me deixo levar.
Não é que o meu coração tenha se endurecido,pelo contrário.Ele apenas deixou de ser bobo e descobriu a beleza da vida quando a gente caminha com as pessoas certas.
Muitas vezes fui um peixe fora d`água,vivendo num meio onde a realidade,simplesmente,não me entrava na cabeça,onde me faltava o oxigênio.Mas eu descobri onde encontrá-lo.E em tanta abundância, que mesmo a convivência em meio inóspito não me afeta mais,pois sei para onde devo voltar.
Admiro gente que tem carinho, compreensão.Não gosto de gente que faz chacota dos sentimentos dos outros.Não gosto de gente que trata os outros com ar de superioridade,de desprezo,de desdém.Não gosto de gente que faz gente se sentir um lixo,um nada.Não gosto do sentimento pena.Não concordo com gente que acha que maturidade,esperteza e sabedoria são sinônimos de muitos anos vividos.Gosto de gente que saber ser humana,de verdade.
Acho engraçado como as pessoas têm memória fraca.Minha memória é ótima para lembrar quem de verdade cada pessoa mostrou ser através de seus atos.
Não consigo entender bem o mundo.Sei que as pessoas não me entenderiam também.Por algum motivo eu sou diferente.E quer saber?Não é fácil ser diferente não,e tem dias que queria ser só mais uma na multidão,mas bem lá no fundo,sei que sempre vou querer ser assim,bem do jeito que eu sou.




“Eu só,a toda pela contramão,em busca de satisfação,enfim viver mais.”

terça-feira, 5 de julho de 2011

Simples assim



A cada dia entendo um pouco melhor a vida.Mas há dias em que não entendo nada.Dias que preferiria não existir ou não ter que resolver nenhum problema,nunca.
A gente sente quando amadurece.A gente sente quando a vida está mudando,tomando um novo rumo.A gente sente que finalmente parece que as coisas estão entrando nos eixos.Mas a gente sabe que não vai ser por muito tempo.
Os problemas surgem.Cada dia é uma coisa diferente.Aí a gente resolve.Aí surge outro.E outro,e mais outro.E assim a vida segue.
Sábias palavras de quem disse que a diferença não é o que acontece,mas a forma como a gente lida com o que acontece.A postura que adotamos é que individualiza cada um de nós,e nos faz mais ou menos felizes.
A cada dia mais, tenho a certeza de que preciso relaxar.Olhar a vida com olhos menos preocupados e responsáveis.Sentir que eu posso,e que,na verdade,hoje,mais que poder,eu devo.
O equilíbrio é a melhor coisa da vida.Tudo com equilíbrio fica bom.Deve ser por isso que é tão difícil de encontrá-lo.Mas vale a pena procurar.A recompensa é valorosa o suficiente.
Estamos sempre em meio a diversos conflitos ,completamente diferentes entre si,mas percebo o que muitas vezes deixamos passar despercebido.A vida é um constante ciclo,onde nada(ou praticamente nada)se cria.Tudo se modifica,se transforma e volta com cara nova.Como uma releitura,mas em essência,sempre a mesma coisa.
Passamos por muitas coisas e tentamos resolver nossos problemas,sempre objetivando um determinado fim em cada situação.Mas, ao final das contas,tirando todas as máscaras e disfarces,esse fim foi,é e sempre será a felicidade.